Em 1980, nos Estados Unidos, Stanley Greenspan (professor clínico, psiquiatra e pediatra) e Serena Wieder (psicóloga), após estudos realizados desde a década de 1950 sobre o desenvolvimento infantil e saúde mental, perceberam a importância dos relacionamentos e afeto para o aprendizado e desenvolveram o modelo DIR/Floortime, que objetiva as competências sociais, emocionais e cognitivas das crianças.

O modelo desenvolvimentista DIR/Floortime é de base sócio construtivista e busca validar as diferenças individuais de cada criança. Nele, o D leva a compreensão do estágio emocional e cognitivo do desenvolvimento em que a criança se encontra; o I se refere às diferenças individuais, mostrando que cada criança tem uma maneira particular de perceber o mundo, um modo único de processar as informações sensoriais (sons, toques, cheiros, movimento, etc.) e isto dirá sobre o comportamento da criança, seu modo de se relacionar, agir e pensar; enquanto o R destaca a importância das relações, principalmente com os pais.

O Modelo D.I.R. determina como avaliar e intervir considerando:

  • Capacidades desenvolvimentais de funcionalidade: a partilha da atenção e a regulação; o envolvimento nas interações; afeto recíproco e comunicação gestual; jogo pré-simbólico complexo, comunicação social e resolução de problemas, incluindo imitação e atenção conjunta; uso simbólico e criativo de ideias, incluindo jogo simbólico e uso pragmático da linguagem; uso lógico e abstrato de ideias, incluindo capacidade para expressar sentimentos.
  • Diferenças individuais: modulação sensorial (em que medida a criança é hiper ou hipo-responsiva às sensações), processamento Auditivo e Visuo-espacial; planejamento motor;
  • Relacionamentos e padrões de interação: padrões de interação com o cuidador, pais e família; padrões educacionais; padrões de interação com os colegas.

No cerne de sua estrutura considera os sentimentos da criança; suas relações emocionais e sociais; o nível de desenvolvimento em que se encontra; as diferenças individuais; a forma como a criança processa e responde ao mundo sensorial. As estratégias deste modelo visam avaliar e intervir sobre áreas relevantes no 1) desenvolvimento emocional funcional, isto é, capacidade de atenção e regulação, envolvimento, comunicação, resolução de problemas, uso criativo de ideias, pensamento abstrato e lógico; nas 2) diferenças individuais de funcionamento do sistema nervoso central, ou seja, a forma como a criança reage e processa as experiências, e como planeja e organiza as respostas, inclui: modulação sensorial, planejamento motor, processamento auditivo e visuo-motor e nas 3) relações emocionais com os cuidadores, competências para se envolver em interações afetivas.

A abordagem Floortime é um modo de intervenção interativa não dirigida, que tem como objetivo envolver a criança numa relação afetiva. Os seus princípios básicos são:

  • Seguir a liderança da criança;
  • Entrar na sua atividade e apoiar as suas intenções, tendo sempre em conta as diferenças individuais e os estágios do desenvolvimento emocional da criança;
  • Através da nossa própria expressão afetiva e das nossas ações, levar a criança a envolver-se e a interagir conosco;
  • Abrir e fechar ciclos de comunicação (comunicação recíproca);
  • Alargar a gama de experiências interativas da criança através do jogo;
  • Alargar a gama de competências motoras e de processamento sensorial;
  • Adaptar as intervenções às diferenças individuais de processamento auditivo e visuo-espacial, planejamento motor e modulação sensorial.
  •  Tentar mobilizar em simultâneo os seis níveis funcionais de desenvolvimento emocional (atenção, envolvimento, reciprocidade, comunicação, utilização de sequências de ideias e pensamento lógico emocional) (Greenspan, 1992b; Greenspan & Wieder, 1998).

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