Autismo e a importância da relação na Escola

Autismo e a importância da relação na Escola
Acompanho uma criança há 8 anos e nossa relação, além de minhas vivências e estudos, me despertaram o desejo de escrever um pouco sobre isso.

Muitas vezes as pessoas me dizem que iniciaram um trabalho com uma criança com TEA e me perguntam por onde começar. Eu sempre respondo: pelo vínculo afetivo. Quando você inicia buscando cativar e conquistar a criança e quando ela passar a gostar de você, a pedir por você chamando seu nome, sinalizando corporalmente ou abrindo um sorriso enorme ao te ver, todo o restante do processo é facilitado. O relacionamento afetivo de vocês vai oferecer todo suporte para o desenvolvimento intelectual da criança e para sua aprendizagem.

Observe o brilho nos olhos e o sorriso da criança enquanto você propõe as atividades de seu interesse, usa os brinquedos e materiais que ela tanto gosta, e quando ela interage com você. Está sendo bom e alegre para ela realizar a atividade ou está sendo enfadonho e ela está realizando a ação de maneira mecânica apenas com o objetivo de finalizar? Quando falamos de aprendizagem, é importante considerar que ela só faz sentido quando é prazerosa e, sendo assim efetivamente, as interações emocionais e um bom vínculo afetivo com o (a) professor (a)/mediador (a) irão possibilitar a criança superar os diversos desafios acadêmicos que surgirão no caminho. 

Quando a criança sente prazer, ela é estimulada a aprender. Dessa forma, é fundamental considerar que o processo de aprendizagem está inteiramente ligado ao contexto afetivo. Na medida que o sujeito é visto como um todo, suas relações interpessoais (família, pares, professor/aluno, etc), bem como seu estado emocional, precisam ser percebidos e considerados como influentes no processo. No contexto da sala de aula, é fundamental considerar a relação professor/aluno e, sendo esse um aspecto importante, para as crianças com dificuldade de interação social e comunicação, é fundamental olhar para isso de modo peculiar e minuncioso. Além de considerar a importância da troca entre a família e a escola, que favorecerá a criança de maneira significativa. Quando existem dificuldades e as necessidades afetivas não são satisfeitas, passa a existir uma barreira no processo de ensino-aprendizagem e, portanto, para o desenvolvimento do aluno e do professor.

Promovendo sentimentos agradáveis e criando uma relação consistente com a criança, o senso de segurança dela e a confiança em você vai permitir que ela arrisque nos momentos em que se sente insegura e quando tem dificuldade. A partir disto, pode-se pensar nos conteúdos a serem trabalhados para favorecer seu desempenho.

Então, professores e mediadores, brinquem com suas crianças seguindo seus interesses, conectem, investiguem e tragam para as brincadeiras os personagens que elas gostam, reformulem, busquem os sorrisos, troquem com a família, troquem com os profissionais que acompanham a criança e fortaleçam o vínculo entre vocês para em seguida expandir! A partir deste momento, quando a criança compartilhar da sua companhia com prazer, todo caminho seguinte do trabalho pedagógico será facilitado. É importante 1) ter um olhar global e empático quando observamos a criança; e 2) validar seu nível de desenvolvimento, suas diferenças individuais e suas relações, neste caso específico a relação professor (a)/aluno(a) para contribuir com os avanços da criança neste contexto.

Carol Mota
Pedagoga
Pós-graduanda em Psicopedagogia
Mestra em Educação, Culturas e Identidades
Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas NINAPI – Neuropsicologia, Afetividade, Aprendizagem e Primeira Infância

 — com Carol Mota.

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