Autismo e a atual estrutura escolar

Autismo e a atual estrutura escolar

Ouço muitas professoras relatarem “eu tenho uma criança na sala de aula que tem necessidade de se movimentar e eu não sei o que fazer”. Primeiro gostaria de destacar o sistema vestibular, que está relacionado ao movimento e é importantíssimo. Eu tenho várias crianças que estão fazendo atividade estruturada, vão e voltam. Essa necessidade de movimento existe. Claro que, um corpo em movimento o tempo inteiro, irá impactar no aprendizado. Esse movimento cabe dentro do atual modelo de sala de aula onde existem cadeiras, livros, cadernos, professor, etc? Não. Logo, acredito que a própria estrutura da escola precisa ser repensada. Um exemplo que poderia facilitar a participação dessa criança nesse momento é a cadeira de pilates, que, como não encontramos no Brasil, usamos um pneu com uma bola bobath.

A organização do ambiente é uma questão que merece importante destaque! Na perspectiva walloniana, o meio é o espaço de atuação da criança, sobre o qual ela aplica as condutas de que dispõe, ao mesmo tempo em que retira os recursos para suas ações. A cada idade o meio é diferente. Diante disto, há uma necessidade de se planejar a estruturação do ambiente. “Se for estruturado adequadamente, pode desempenhar um decisivo papel na promoção do desenvolvimento infantil” (GALVÃO, 2012, p. 101). Greenspan (2000, p. 16) também disserta sobre a importância de um ambiente que favoreça o desenvolvimento, segundo o autor “modificar o ambiente da criança ajustando os estilos de criação pode influenciar os resultados significativamente”. A partir disto, vamos nos colocar um pouco no lugar das nossas crianças, não é difícil perceber que: não tem como a estrutura física não acomodar o meu corpo e eu querer aprender!
Quando pensamos em uma Educação Inclusiva, pensamos na reabilitação, vemos que muita coisa precisa ser revista. Não existe uma receita. “O que eu faço para tal criança?”, não tem receita. O que é que falta? Informação sobre sistemas sensoriais e motor.

Um exemplo muito comum é o da criança andando na ponta dos pés, ansiosa, sem fazer natação para acomodar o sistema proprioceptivo, mas inserida em uma rotina de cadeira, cadeira, cadeira, cadeira… é cadeira na escola, é cadeira na fonoaudióloga, é cadeira na psicóloga, é cadeira… Percebe-se que essa mesma criança senta em W, demonstrando baixa tonicidade muscular. Se vemos que a criança senta com essa postura, demonstrando tônus baixo, precisamos pensar em como melhorar a qualidade de sua atenção! Eu posso aumentar a concentração da minha criança se eu der tônus, der consciência muscular, consciência corporal. Mas como isso pode ser feito? Com a natação, por exemplo, com exercício físico. É importante entender o perfil da criança, pois só ele vai dar condições de realizar um bom trabalho!

 

Carol Mota
Pedagoga – Terapeuta DIR/Floortime em formação
Mestranda em Educação, Culturas e Identidades

Referências:
GALVÃO, Isabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. 21 ed. Petrópolis: RJ: Vozes, 2012.
GREENSPAN, Stanley. Filhos emocionalmente saudáveis, íntegros, felizes e inteligentes. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

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